Vagueio numa tela de um caminho indeciso,
salto as convenções num trajecto que improviso.
Procuro uma certeza num sistema duvidoso,
corro para um rosto de um dom iluminoso.
Finto a razão numa conduta convincente,
confundo o passado com o futuro e com o presente.
Presente na chamada d'uma chamada vida vã,
não escrevo o amanhã num falso talismã.
Ignoro a tristeza indefesa que ultrapassa,
numa praça de lamentos tenho um dom que não se abraça.
Pontos vou escrevendo em palavras incompletas,
preferindo as incertezas às fontes incorretas.
Nesta noite que elege um poeta casual,
sinto que o destino pode não ser o final.
Perco o que outrora foi julgado ser supremo,
ganho futilidades que amanhã serão veneno.
Personaliza a jornada num seio que não condeno,
porque a vida subjetiva eu escolhi desde pequeno.
Daniel Rodrigues

