VIDA SUBJETIVA

01.02.12

Vagueio numa tela de um caminho indeciso, 
salto as convenções num trajecto que improviso. 
Procuro uma certeza num sistema duvidoso, 
corro para um rosto de um dom iluminoso. 
Finto a razão numa conduta convincente, 
confundo o passado com o futuro e com o presente. 
Presente na chamada d'uma chamada vida vã, 
não escrevo o amanhã num falso talismã. 
Ignoro a tristeza indefesa que ultrapassa, 
numa praça de lamentos tenho um dom que não se abraça. 
Pontos vou escrevendo em palavras incompletas, 
preferindo as incertezas às fontes incorretas. 
Nesta noite que elege um poeta casual,

sinto que o destino pode não ser o final.

Perco o que outrora foi julgado ser supremo,

ganho futilidades que amanhã serão veneno. 
Personaliza a jornada num seio que não condeno, 
porque a vida subjetiva eu escolhi desde pequeno.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 12:10

RETRATO BASSO

25.01.12

Num cenário obscuro onde o meu retrato é basso,

escasseia a razão que impulsiona um novo passo.

Invento uma fuga numa rota arriscada,

agora vejo pontes onde antes via estrada.

Surgem elos entre os espaços que limitavam a razão,

surges tu e o teu gesto, surge nova inspiração.

Vejo vivo um ideal num cosmos de utopia,

e agora adormeço acreditando na magia.

Venci um medo antigo, sem temer suposto isco,

não temo a ilusão porque vale apena o risco.

Sei que não deixei os meus dias incompletos,

incuto nos sentidos seres o alvo dos afectos.

Sei que em cada decisão haverá sempre sempre uma saída,

porque sei que é(s) o sonho que impulsiona a minha vida.


by Daniel Rodrigues
for PMF

publicado por danz às 23:32

SUJEIÇÃO FATAL

07.12.11

Sociedade inexorável que nos mastiga e não digere,

Bendita brisa que cicatriza tudo aquilo que me fere.

Brisa tua, brisa nua, meu impulso, ilha berço

Minhas mãos no teu cabelo fazem-me viver um terço.

Minhas veias rompidas veiculam teu amor difuso,

Fico preso já sem preço porque eu não te recuso.

Imito o teu poder, vacilando no incrível,

Pereço no desalinho de tu seres inatingível.

Palavras, essas, vivem resistindo ao desespero,

Nada agora tenho mas tudo agora quero.

Sou o sujeito sujeitado à sujeição banal,

Caminho, já sozinho, no caminho irreal.

Fujo ao que é suposto, minto ao pressuposto,

Tenho um destino posto no desenho do desgosto.

Homicídio da harmonia - música foi a assassina,

As palavras vão rimando mas a vida já não rima.

 

Daniel Rodrigues

 

publicado por danz às 14:43

CICATRIZES SOCIAIS

07.12.11

Não sei retribuir as cicatrizes deste espaço,

Deste grupo social que especula o que não faço.

Raramente vejo feito bom desprezo no defeito,

Nunca não será eleito e será levado a peito.

Morre o preconceito na subida da idade,

Repetes a mentira, obténs uma verdade.

Reforças o teu prisma procurando a convenção,

Sabes que o pôr-do-sol te garante uma ilusão.

Negoceio a condição numa delinquente esfera

Hoje já morreu Abril, mas não nasceu a Primavera.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 14:37

60

07.12.11

Onde lentamente me perco é onde te vejo nascer,

Nadas nos meus olhos acompanhando meu tremer.

Gelo no teu mergulho neste mar cruel: a vida.

Porque não és a lagoa e paz nela contida?

Idolatro a destreza que encerras na conduta,

Perco o teu olhar quando ganhas uma luta.

Inspiras a concepção, aperfeiçoas o valor.

Mordes o retrato que retrata a voz da dor.

Digo sessenta vezes que te amo na sebenta,

Levantas a paixão de um medo que se senta.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 14:31

NADA É TANTO

07.12.11

Eras desplante e coragem,

Eras legislação radical.

Tinhas corais utopizados,

Sonhos secretamente idealizados

Por detrás de uma conduta angelical.

 

Hoje és mais que um improviso,

És uma trabalhada concepção.

És o sangue do universo

Por teu respirar disperso,

És a minha perene convenção.

 

Imaginas e suspiras

Como quem sorri e avança.

Tens a lua como casa,

Tens o coração em brasa

Que não se rende nem se cansa.

 

Introduziste ideologias,

Teorias de pouco pranto.

Visaste o nirvana

Que tua essência emana

Porque tudo é nada e nada é tanto.

 

Deixas transparecer o amor

Que espalhas ao caminhar.

Nas tuas eterna memórias

Existem fictícias histórias

Impossíveis de narrar.

 

Imo angelical,

Propagas tua divindade.

Os teus olhos são confiança,

A tua boca uma esperança,

A tua perfeição é realidade.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 14:21

PSICO-CRISE

07.12.11

As sociedades hoje em dia são como a fé de um cometa,

Ninguem as para, separa ou a vontade se lhes veta.

São razões de acções para vários factores,

Conspirações concebendo novas formas de dores.

Se fores astuto e viveres como o xadrez

Pensarás no passo 4 antes de dar o passo 3.

Tu vês e crês que o cidadão tem empatia,

É pelo cifrão que casa, pelo prazer que procria.

A vida são dois dias e é no terceiro que tu vês

Que nos dois dias tu sonhaste e no terceiro já não és

Um ser humano... mais forte por ser cigano?

Será que és algo mais porque não és africano?

É a xenofobia que corrói, auto-destrói.

Tu és um formatado que usa roupa de cowboy.

Achas que és herói só por ter um dom/poder.

Se não tens coração, herói não podes ser.

Tu não és o que queres nem aquilo que pensas,

És aquilo que desejas a quem não partilha as tuas crenças.

Adoptas o comodismo à espera que se preserve.

Veste o facto-de-macaco porque o curso já nãos serve.

Licenciatura já expirou, a profissão perdeu a cor,

E agora vês no MAC alguem que outrora foi doutor.

A secretária não trabalha. Profissão? Agora é mãe.

O professor já não exerce e a farmácia vende bem.

Até no desporto rei, o fracasso é velho caso,

São três meses e três dias de ordenados em atraso.

Soma somatos afectados pelos danos actuais,

Estão cansados, revoltados pelos problemas iguais.

Embora dia nada brilha, apenas sombra de alegria

E encorporas a tristeza e sua etimologia

Como a negra magia que rodeia e preside.

Fatalismo faz-te ver que tudo morre e nada vive.

Já nada corre bem, atiras o stress no amanhã.

Adormeces já sem preces: psico-crise fez-se vã.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 14:04

OMNIPOTENTE

06.12.11

És o ideal de perfeição concebido desde a antiguidade,

O esforço dos cansados para alcançara verdade,

A beleza irreconhecível numa abstracta obra prima,

A risonha fortuna que o futuro sublinha,

O reflexo opaco que dificulta a razão,

A verdade desconhecida encarada ilusão,

O sossego precedido de árdua jornada,

A paz fugitiva mais tarde encontrada.

És teoria pragmática, utopia que se realiza,

Imortalidade humana que qualquer Homem idealiza,

O realismo insensível que fragiliza a nação,

A verdade nua crua que gela um coração,

És retórica rica, linguagem rebuscada,

O verismo realista que preenche um nada.

És o vulto da mulher que espelhou o perfeito,

O tamanho do mundo é o tamanho do teu peito.

Totalmente não-crente, revelaste heresias,

Totalmente consciente, sem anestesias.

És a verdade indubitável, que ninguem ousa omitir.

És a crítica construtiva que impulsiona  um construir.

Tu és o que crês: genuína, transparente,

Apagas os espaços: perfeitamente omnipotente.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 18:46

PÉS IGUAIS

06.12.11

Tenho medo que os teus olhos se despeçam ao fechar,

Que os braços percam o medo que um dia tive ao te abraçar.

Espero e sinto, só, faminto, que os teus pés sejam iguais,

Que não fujam como fogem os fugitivos ideais.

Ainda espero que me doa o teu 'não' irrefletido,

Que não me custe perdoar sem se quer ter reflectido,

Que permaneças no império que por ti mandei erguer,

Quem em mim vivas novamente quando a morte te escolher.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 18:39

VULTO DESEJADO

06.12.11

És a vida e a beleza

Que me liberta diariamente,

És o vulto desejado,

O rosto iluminado

Num corpo de mulher atraente.

 

Pedes-me uma estrela

Que vês no melhor luar.

Eu não o posso fazer,

No céu não posso mexer,

Porque o céu é o teu olhar.

 

És a melhor resposta,

O mais doce dilema,

És impossível desejo,

O mais perfeito beijo,

És o meu melhor poema.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 18:13

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