Erói do Hódio

26.09.13

Sinto que se mente nas costas de um eu que foi

ouço ventos que me contam que do ódio sou herói
é graça feita ao embaraço que se esconde em rua escura
de que o eu de que se fala são eles presos na loucura
porque correm apressados, mal amados e descalços?
porque fogem deles próprios quais mendigos desgraçados?
é esta a vida, é este fado que eu refuto e que me enoja
é esta a vida que eles adoram porque a merda é cor de rosa.

 

 


Daniel Rodrigues 

publicado por danz às 04:26

Culpa morta

23.09.13

Nada és e tudo foste,
nada tens e tanto deste.
Compulsiva sonhadora,
segues o fim de qualquer voz.
Alimenta-se a saudade
com um coração veloz.
Despedes essa culpa
quando caro vendes medo.
Matas qualquer sorte
numa hora que é tão cedo.

 

Eu vou fugindo ao teu enredo...
Eu já fugi do teu enredo.


Daniel Rodrigues

publicado por danz às 21:50

Outro(s) tempo(s)

28.07.13

Houve um tempo que morreu
Soube o tempo a paixão
Sabe o tempo que se foi
Sobra dele recordação.
Trás de volta o que fui
Atrás da escolta do que foi
Ás na revolta de quem
Esquece a voz do que dói.
E a escola do que fomos
Na bola do puto que era
É choro que brota o Outono.
Descansa em paz, Primavera.



Daniel Rodrigues

publicado por danz às 22:57

Dança do vento

24.06.13

Notas valor nos tiros à trégua
Recusas a cor na busca da névoa
Ostentas as brasas de um fogo que sonhas
Num pranto de paz que tanto desenhas
Ligas à sorte na morte de quem
Já te vestiu mãos e já não é ninguém
É medo que sentes ou sorte que choras
Na paz que desejas mas não corroboras
Namoras o céu e aquilo que foge
Com o amanhã, adulteras o hoje
Na tua demora é tempo que invento
Num esforço vazio pra alcançar o vento
Pedes a faca na falta de fé
E roubas o chão para te pores de pé
Mudas o vento, o tempo a criança
Matas o corpo mas não matas a dança.

 

Daniel Rodrigues 

publicado por danz às 23:16

“Talvez” – Poema cru

20.05.13

Espero por um diferente amanhã,
Estou cansado dos “talvez” que me traz cada manhã.
Tento fugir da lentidão dos dias maus,
E ouso pedir ordem, quando em mim habita o caos.
Junto pedras e paus que surgem no caminho,
E faço deles histórias, amigos, para não me sentir sozinho.
Talvez seja “homem-nada”, talvez nem homem seja,
Sem nada receber, tudo aos outros dou em refinada bandeja.
Gosto do “resto”, invento-me de pedaços,
Iludo-me, a espaços, quando empurrado pelo vento dou passos.
Refém dos vícios a que presto tributo,
Sinto que a sorte de mim fez luto.
Mas não a refuto, nem a ressinto nem a protesto.

De que vale falar ao mundo se não tens voz para o manifesto?
Nada há para dizer mas tudo quero ouvir,

Sou herói de passatempos que não vão existir.
A caneta vai roubando o que fica por dizer,
E tu foste matando o que eu tinha para ser.
O espaço é pouco para mudanças,
Mas das minhas certezas a vida faz tranças.
Talvez sejas porta-voz de uma jornada ingrata,
Mas não mais precisarei de viver do que me mata.


Daniel Rodrigues 

publicado por danz às 23:21

perto.

01.12.12

Nos portões da incerteza eu resumo o meu destino,
Nos capítulos rasgados há um filme sem um hino.
Recapitulo meus projectos na perseguição de mim,
E tu projectas nesse palco o meu princípio e fim.
De mãos dadas, mal atadas e pés fracos e vendidos,
Verbalizas as divisas de mendigos esquecidos.
Retiras as palavras que eu licito numa esfera,
E reiteras a quimera de uma nova primavera.
Na experiência da vivência de uma amarga adolescência,
És eventual potencial: minha certa omnipotência.
No pesar dos novos ganhos, és um alvo que desperto,
Não suporto aquele aperto quando não te fazes perto.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 03:16

SINOPSE 2.2.

15.11.12

Na incerteza dos desígnios de caminhos já cruzados,
Há bocados de destinos que parecem maculados.
Os nós que se faziam fazem falta às pontas soltas,
E há outros sentimentos que tu escondes e não escoltas.
Nos segundos que recordas há cordas que tu tocas,
E no silêncio que escolheste há lembranças que desfocas.
Não sabes o que vem desse vento que mudou,
E sabes o que fui e o que serei e sou.
Por ti dei alma, corpo, mente, coração e voz,
Não vou escolher os erros para a sinopse do "Nós".


Daniel Rodrigues 

publicado por danz às 12:53

VIDA SUBJETIVA

01.02.12

Vagueio numa tela de um caminho indeciso, 
salto as convenções num trajecto que improviso. 
Procuro uma certeza num sistema duvidoso, 
corro para um rosto de um dom iluminoso. 
Finto a razão numa conduta convincente, 
confundo o passado com o futuro e com o presente. 
Presente na chamada d'uma chamada vida vã, 
não escrevo o amanhã num falso talismã. 
Ignoro a tristeza indefesa que ultrapassa, 
numa praça de lamentos tenho um dom que não se abraça. 
Pontos vou escrevendo em palavras incompletas, 
preferindo as incertezas às fontes incorretas. 
Nesta noite que elege um poeta casual,

sinto que o destino pode não ser o final.

Perco o que outrora foi julgado ser supremo,

ganho futilidades que amanhã serão veneno. 
Personaliza a jornada num seio que não condeno, 
porque a vida subjetiva eu escolhi desde pequeno.

 

Daniel Rodrigues

publicado por danz às 12:10

RETRATO BASSO

25.01.12

Num cenário obscuro onde o meu retrato é basso,

escasseia a razão que impulsiona um novo passo.

Invento uma fuga numa rota arriscada,

agora vejo pontes onde antes via estrada.

Surgem elos entre os espaços que limitavam a razão,

surges tu e o teu gesto, surge nova inspiração.

Vejo vivo um ideal num cosmos de utopia,

e agora adormeço acreditando na magia.

Venci um medo antigo, sem temer suposto isco,

não temo a ilusão porque vale apena o risco.

Sei que não deixei os meus dias incompletos,

incuto nos sentidos seres o alvo dos afectos.

Sei que em cada decisão haverá sempre sempre uma saída,

porque sei que é(s) o sonho que impulsiona a minha vida.


by Daniel Rodrigues
for PMF

publicado por danz às 23:32

SUJEIÇÃO FATAL

07.12.11

Sociedade inexorável que nos mastiga e não digere,

Bendita brisa que cicatriza tudo aquilo que me fere.

Brisa tua, brisa nua, meu impulso, ilha berço

Minhas mãos no teu cabelo fazem-me viver um terço.

Minhas veias rompidas veiculam teu amor difuso,

Fico preso já sem preço porque eu não te recuso.

Imito o teu poder, vacilando no incrível,

Pereço no desalinho de tu seres inatingível.

Palavras, essas, vivem resistindo ao desespero,

Nada agora tenho mas tudo agora quero.

Sou o sujeito sujeitado à sujeição banal,

Caminho, já sozinho, no caminho irreal.

Fujo ao que é suposto, minto ao pressuposto,

Tenho um destino posto no desenho do desgosto.

Homicídio da harmonia - música foi a assassina,

As palavras vão rimando mas a vida já não rima.

 

Daniel Rodrigues

 

publicado por danz às 14:43

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